Archive for julho, 2010


Nada como um dia após o outro!!!

Saudosismo de canceriano à parte, mas para explicar o que essa intervenção aí em cima tem a ver com o digitador desse treco preciso contar uma história da carochinha…

Foi em 1996 que comecei a trabalhar na extinta Publivias, uma empresa instalada na Rua do Bosque (Barra Funda), que fabricava letreiros e luminosos. Fui pra lá para ocupar o lugar de um amigo que estava indo trabalhar em uma agência de publicidade. A Barra funda é longe do Ipiranga (São João Clímaco pra ser mais exato, mas quando ninguém conhece onde você mora é melhor usar algum nome mais interessante!), era mais ou menos uma hora de ônibus até a Praça do Correio e depois subia até o Largo do Paissandú onde pegava o Vila Nova Cachoeirinha e mais uma meia horinha ou menos e já estava na Marquês de São Vicente nas imediações da “Fábrica de piche da Prefeitura”.

Eu era o cara que passava as artes finais dos “letristas” para o computador e que criava uma ou outra artezinha para virar painel. Corel Draw 3 em espanhol era nossa ferramenta nessa época, eu nem podia reclamar pois na empresa anterior eu ainda peguei o final dos processos de desenho e fotografia de “originais” para montar clichês, melhor nem explicar o que é isso para não pensarem que eu vim do pleistoceno.

Uma das coisas que sempre me chamaram a atenção era que nos “rolês” da hora do almoço a gente sempre desbravava um pouquinho daquele bairro, tinha o trem da Prata que ia pro Rio de Janeiro que saia de trás da firma, casas no padrão ferroviário (ou seja que serviram de moradia aos trabalhadores da ferrovia naqueles tempos…), uma Igreja, que se não me engano era de Santo Antônio e,  muito graffiti, no fim das ruas transversais a Rua do Bosque. Como estamos falando de um bairro cortado pelo trilho do trem, e portanto com muitas ruas terminando no muro de proteção dos mesmos, esses locais eram propícios a intervenção da moçada, do pixo e do graffiti. Há uns anos atrás visitei uma fábrica de produtos para postos de gasolina nessa rua e pra minha feliz surpresa um amplo flashback veio a tona ao observar a quantidade de intervenção que tinha ali, no mesmo lugar de uma década atrás.

“Intaum”! E não é que fui pra Universidade, decidi estudar Geografia, especialmente intervenções urbanas, continuei trabalhando com Mídia Exterior, montei meu escritório com meu paciente sócio Roberto e, casei, e agora que fazendo mestrado, buscando referências de intervenções urbanas me deparo com uma oficina de graffiti no Centro Cultural Banco do Brasil (que por coincidência fica a metros do meu escritório) realizada por dois caras que tem um trabalho que eu admiro há alguns anos: Delafuente e SÃO, respectivamente Leonardo e Anderson. Na ocasião, como era de se presumir, o meu graffiti ficou “horriver” mas só de relembrar o peso da latinha já valeu o ingresso!

Delafuente e SÃO assumem conjuntamente a denominação “6EMEIA” e esses artistas tem como particularidade a realização de intervenções em objetos públicos presentes no cotidiano: bueiros, tampas de esgoto, postes e objetos do gênero. São objetos  que originalmente passam desapercebidos no cotidiano e que causam impacto quando ganham uma roupagem artística. É uma espécie de terrorismo poético que parece que nos fala:
– Tem vida aqui ô!
– Alguém gastou o tempo pra te mostrar como esse bueiro fica engraçado assim!
– Anda devagar, olha pra baixo!

Bom, os caras além de verdadeiros artistas foram super generosos no evento citado, ensinando uns marmanjos como eu e a molecada a usar o spray no decorrer do evento.

Pra quem ficou curioso, desliga a TV e entra no álbum de fotos dos caras: http://www.flickr.com/photos/sao/sets/72157601458813225/with/4763225985/ ou entra no site deles: http://www.6emeia.com ou, de preferência, nos dois.

Enfim, quando faltam palavras o melhor é mostrar:

Obs.: Seis e meia é a posição do relógio em que os ponteiros ficam “olhando” pra baixo…

A Câmara de Vereadores de São Paulo revogou a lei que proibia a pichação de muros como propaganda política dos candidatos durante as eleições. Apenas três vereadores votaram contra a medida, que vai permitir pinturas e desenhos em construções particulares no ano que vem, quando boa parte dos legisladores irá disputar vagas de deputado estadual e federal.

Na votação, quarta (19), os vereadores derrubaram a lei 14.806, de 2008, que proibia “exibir, pichar, desenhar, escrever ou pintar propaganda em muros, fachadas, colunas, paredes, pórticos, ou qualquer outro lugar público ou privado visível do passeio público”.

Para o vereador Domingos Dissei (DEM), a medida é um “retrocesso”. Autor do projeto que estendeu a Lei Cidade Limpa à campanha eleitoral de 2008, o vereador disse que a autorização de pinturas em muros vai gerar um gasto com limpeza após a eleição.

Ele, que se disse surpreso com a votação, atribui o resultado às eleições de 2010. “Alguns vereadores acham que os candidatos novos, desconhecidos, vão ficar em desvantagem”, explicou. Além disso, vereadores que tem sua base eleitoral na capital paulista temem a concorrência dos postulantes de cidades vizinhas, onde não existe este tipo de restrição.

Fonte: http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI88980-17276,00-CAMARA+AUTORIZA+PICHACOES+EM+SAO+PAULO.html

Outro dia um adolescente me perguntou como era antes do telefone celular, digo como as pessoas se falavam… Para aqueles que estão perto da idade de Cristo como eu (com uma margenzinha né!) parece que nascemos no período jurássico quando olhamos sobre o prisma da ampla difusão dos meios de comunicação no cotidiano. Antes eram décadas para um veículo de comunicação se difundir ou sobrepor a outro. Com a abertura de mercado e as demais mudanças observadas nas décadas de 90 em diante “ficou pra trás” uma produção publicitária marcada pelo aspecto humano, artesanal.
Um ótimo exemplo da produção publicitária antes dos anos 90 pode ser verificada na produção do ilustrador gaúcho José Luiz Benicio (http://www.benicioilustrador.com.br), vou poupar as palavras e mostrar alguma coisa da produção desse “ilustre ilustrador” que produzia em pincel e guache:

Saltibancos

"Elke Maravilha contra o Homem Atômico" nooooossa... esse é ótimo !!!

Inspiração e as duas primeiras ilustrações são do blog: http://observarte.zip.net

Para celebrar a manifestação cultural da pixação, entre os dias 13 e 31 de julho, a Matilha Cultural abriga a mostra “Caligrafia Mau Dita”, exposição de registros tipográficos  reunidos pela grife de pixação “Os Muito Loucos” e convidados das cinco regiões de São Paulo e ABC que atuam há mais de 20 anos nas ruas da cidade. A exposição é voltada ao entendimento do pixo e de sua caligrafia como fenômenos sociais do nosso tempo. A abertura será na terça, 13, a partir das 18h.

Fonte: Catraca Livre (+:http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/07/caligrafia-mau-dita-pixacao-e-tema-de-mostra-na-matilha-cultural/)

O historiador Mauro Rizo, um dos poucos pesquisadores de Cemitérios de São Paulo, realizará nessa sexta-feira 09/07/2010 um “Passeio Cultural” pelas alamedas co Cemitério da Consolação. Mórbido?! Nada disso: lá temos um dos maiores conjuntos artísticos de Brecheret e outros escultores, além disso Mauro comentará sobre algumas histórias das personagens ali enterradas, tais como Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral,  Oswald de Andrade,  Mário Andrade, – Marquesa de Santos; Marquês de Itu, Rangel Pestana, entre outros. O passeio dura cerca de 2 horas e é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a história de São Paulo.

Para participar basta aparecer na sexta-feira às 10hs da manhã na entrada principal que fica para a Rua da Consolação. Detalhe: É DE GRÁTIS!!!!

Obs.: Não houve autorização formal para fotos…

Tempo: 02/07/2010, sexta, por volta das 18h30m
Lugar: Pça do Patriarca, centro SP
Personagens e o resto:
Eu e o brother Marcão assistimos a apresentação do Quinteto SLAP! que, na ocasião assistimos uma intervenção bem diferente: sonorização de um filme do Charles Chaplin. No caso o trechinho aí em cima é do filme “O circo” de 1928. Detalhe: Olha a cara vira-lata do cartaz francês abaixo

Chaplin - O circo, 1928

Chaplin - O circo, 1928

Mais coisas bacanas do CCBB que acontecerão no mesmo espaço: http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10168,1,0,1,1.bb?codigoMenu=9904&codigoEvento=3379&codigoRetranca=190

%d blogueiros gostam disto: