Category: Arqueologia Urbana


Mineirices

Em janeiro de 2013 estivemos visitando São Thomé e região.

Pela janela do carro observamos interessantes intervenções com significados próprios:

Em 3 Corações uma bela Estátua do Rei dos Reis

Monumento homenageando o ilustre cidadão de 3 corações: Edson Arantes do Nascimento

Monumento homenageando o ilustre cidadão de 3 corações: Edson Arantes do Nascimento

Na Estrada uma sacada engraçadinha “Vaquinha”

Estabelecimento à margem da fernão Dias

Estabelecimento à margem da Rod. Fernão Dias

Invasão das intervenções de azulejo "Space Invaders"

Extraído da Folha de São Paulo (Fernanda Mena):
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/954423-e-a-minha-missao-poetica-diz-invader-sobre-intervencoes-em-sp.shtml (a propósito essa página tem uma ótima entrevista…)

Trecho: “O processo é sempre o mesmo. Sob o codinome Invader e com uma coleção de azulejos na mala, ele estuda o mapa da cidade, compra cimento na loja de construção mais próxima e espera a noite chegar para cobrir muros e viadutos com mosaicos em forma de “space invaders”, personagens do videogame homônimo do final dos anos 70.

“É a minha missão poética”, disse à Folha o artista, que não revela o nome real.”

Galeria de fotos da Folha: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/3983-invader

Ótima intervenção.

Com colaboração e foto de Karina Trevizan/AE
Fonte: Estadão – http://blogs.estadao.com.br/curiocidade/para-continuar-vivendo-nao-siga-em-frente/
By Mauro Rizo: http://www.facebook.com/profile.php?id=100000836559737

Bom, peguei essa notícia agora a pouco no site do JT, infelizmente a matéria não tem fotos. Aceitamos doações!!! Publicamos com os devidos créditos!!! Qualquer coisa eu dou um pulo lá nesse ponto e fotografo…rsrsrs

Gostaria de chamar a atenção para a questão da percepção, que é pessoal! Percebe-se claramente o quanto a questão cultural pega forte na nossa terra, ao mesmo tempo que gosto não se discute.

Texto:  GIO MENDES, 26/07/2011.

Enquanto o ônibus não chega ao ponto, passageiros leem poesias para passar o tempo. Mas eles não carregam livros nas mãos. Os textos estão disponíveis em cartazes colados no painel onde fica a relação das linhas de ônibus, no teto do ponto, em uma lixeira e num dos postes de iluminação pública. A intervenção artística pode ser vista em dois pontos de ônibus da Avenida Doutor Arnaldo, na região da Consolação, no centro da capital.

Ninguém sabe exatamente quando os cartazes foram afixados, nem quem são os autores da colagem. Os passageiros que costumam pegar ônibus na região viram as poesias no local pela primeira vez na segunda-feira passada. São oito cartazes que trazem apenas as obras dos poetas Mário Quintana (1906/1994), Paulo Leminski (1944/1989), Manoel de Barros (1916) e Alice Ruiz (1946).

A maioria dos passageiros aprovou a ideia. “Acho interessante porque divulga a cultura para muitas pessoas. E também ajuda a descontrair um pouco, se o dia estiver estressante ou se o ponto de ônibus estiver muito cheio”, afirmou o técnico de laboratório Luís Augusto Leite Mendes, de 33 anos.

O cirurgião dentista Susumu Tabuse, de 63 anos, viu uma das poesias porque parou no ponto para verificar se o coletivo que precisava pegar parava ali. Ele estava no ponto errado, mas gastou alguns minutos para ler uma poesia de Alice Ruiz. “A proposta é boa, pois faz o pessoal ler mais poesia, nem que seja na rua”, disse Tabuse.

O estudante Maurício Nascimento da Silva, de 16 anos, admitiu que teve acesso ao trabalho dos poetas ao conferir os cartazes no ponto de ônibus. “É uma oportunidade para conhecer a obra desses escritores. Quem sabe as pessoas possam ler mais depois (desse tipo de contato)?”, questionou o adolescente.

A ajudante-geral Marta Martins, de 26 anos, faz parte da minoria de pessoas que criticaram os cartazes colados nos pontos. “Isso é uma poluição visual, que não contribui em nada para as pessoas. Olha só que bobagem, nunca ouvi falar dele”, disse Marta, referindo-se a Mário Quintana.

Procurada ontem pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que os cartazes com as poesias não ferem a Lei Cidade Limpa porque não são peças publicitárias.

Fonte Primária: http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/poesias-em-pontos-de-onibus-da-dr-arnaldo/

 

Paredes com fotos e pinturas além de performance

Fonte: Vermelho.org.br

Interessante intervenção ocorrida em Fortaleza busca o direito à memória dos desaparecidos políticos.
Matéria completa aqui.

O espaço é um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações (Milton Santos).
A metrópole é polifônica (Mássimo Canevacci).

O espaço é síntese, é manifestação da percepção.

Apoio: Amanda (RP, RS Projetos)

Para comemorar os 600 anos do Orloj, um relógio astrônomico situado na capital da República Checa, Praga, The Macula desenvolveu uma projeção 2d com mapeamento das texturas e elementos do relógio, melhor que falar é ver:

No Vimeo dá pra ver com melhor aproveitamento de tela: http://vimeo.com/15749093

PROJEÇÃO NO CRISTO REDENTOR:

Para lançar o Movimento contra exploração sexual infantil intitulado “Carinho de Verdade“, o Sesi juntamente com a Rede Globo, a Sec. de Dir. Humanos da Pres. da República, o Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e outras empresas e entidades de peso promovem a projeção 2d no Cristo Redentor. A projeção atinge o clímax quando o Cristo realiza um simbólico abraço, veja abaixo:

Tava aqui matutando, o túnel da 9 de julho, embaixo do MASP seria um lugar legal para pensar algo assim não???

Site do projeto: http://www.reversegraffitiproject.com/

+ http://verde.br.msn.com/galeria-de-fotos.aspx?cp-documentid=25588198&page=2

Valeu Thays

Antes de pensarmos em algum juízo de valor, acho interessante pensar que essa atividade é uma espécie de grito anônimo no meio da urbe. Sabe aquela sensação de pegar um pipa em cima do telhado? Ou aquela situação de estar em um lugar que não conhece? Curiosidade, vontade, medo,  são alguns dos sentimentos próprios do ato de transgressão. Mas pra que transgredir? Pra que mudar o que está posto? Falando em pixo, pra que prejudicar o patrimônio alheio? Talvez a resposta dos colegas que exercitam essa atividade seja com uma pergunta:

POR QUE NÃO?

Prévia de documentário (alguém consegue pra mim? troco por um livrinho A. M. Ext. em SP)

Muito mais pixo: http://www.pichacao.com/

Desafio alguém responder esse post sem juizo de valor!!!

Era só ver aquele ventinho girando no quintal pra Vó Ana nos avisar que o Saci ali estava. Eu e meu irmão Mauro desde cedo aprendemos que pra pegar o Saci tinha que pegar um “balaio” (peneira) colocar em cima do redemoinho de vento, e em cima da peneira uma garrafa com a boca virada pra baixo, ai era colocar rapidamente a rolha na garrafa que aprisionava-se o menino preto de uma perna só. Mas nem entendiamos bem qual era a do Saci, se existia mesmo ou não, o que era certo é que o ventinho em redemoinho precedia o vento forte que vinha do “morro” junto com uma poeira vermelha, vermelha da cor do gorro do Saci.

O “morro” continua lá, logo após a “Rua de baixo” e o “riozinho”, a diferença é que agora não venta mais terra vermelha que nem antigamente, pois o morro virou uma cidade, a cidade do Sol: Heliópolis. A área de aproximadamente 20 campos de futebol e uma pista de motocross deu lugar a uma verdadeira cidade com mais ou menos 100 mil habitantes, sendo que, a grande maioria, se não tem as  mesmas raízes étnicas do nosso ilustre amigo Saci, vive à margem do sistema como ele. O que boa parte da população não lembra é que esses amigos contribuiram marcantemente na construção dessa cidade.

Assim como a terra vermelha o Saci também sumiu, não da minha mente e de outros trintões, mas sumiu do imaginário da molecada. Suponho que o modo de vida dos papais e mamães de hoje não contempla transferir a história oral das coisas que ouviam de seus pais e avós, contempla no máximo colocar o moleque de manhã na escolinha, pedir pra alguém pega-lo à tarde (ou pegá-lo geralmente atrasado por conta do trabalho, trânsito etc) e depois por dor na consciencia levá-lo no MaqueDonaldis para  contrabalançar a dor na consciencia ocasionada da ausência: “Papai tem que trabalhar pra ganhar dinheiro…”, “Mamãe vai ganhar dinheiro pra gente ir no MaqueDonaldis…”. Enfim, folclore não faz parte desse modus operandi.

Se somos obrigados a reconhecer que as coisas mudaram – quase não tem mais terra vermelha! – Não tenho certeza que é possível perceber com objetividade que “melhorou” ou “piorou” como os políticos gostam de dizer. A urbanização por exemplo tomou conta de onde eu moro (e de onde você mora também né?). Em alguns casos ela se deu ordenadamente, bonita, frondosa (!), em outros foi “meia boca”, sem uma estética nem planejamento. No raciocínio do mestre, o professor Milton Santos (que era negro que nem o Saci), é possível verificar a olho nú os interesses do grande capital observando a olho nú o espaço. Em São Paulo, por exemplo, o espaço bonito foi eleito pelas elites que pouco a pouco criaram meios para que o topo do espigão passasse por mutações e continuasse belo, do Paraíso à Consolação. O contrário pode ser observado em qualquer região periférica de SP.

Feito esse preâmbulo, não é que de uns tempos pra cá, aparece nuns lugares que transito um curioso graffiti ilustrando um SACI URBANO!!!! Já faz um tempo que acompanho esse moleque travesso nas pilastras de viadutos, fazendo pirueta na beira de rios, paredes, muretas e tudo quanto é espaço urbano, especialmente de São Paulo e do ABC paulista. Já haviam me dito que o artista dessa peripécia morava no ABC, e não é que hoje conheci o caboclo!!! Seu nome é Thiago Vaz, é negro sim senhor e como não podia deixar de ser usa uma boina vermelha. Ótimo!!!

A criatividade do nobre colega contribui interfere na paisagem urbana de modo NECESSÁRIO. O Saci representa a cultura e o folclore que precisa ser resgatado e as reivindicações e temas que o Saci exprime nas suas aparições são atuais e demonstram o que é de mais necessário resolver nessa terra: a desigualdade.

Parabéns pelo seu trabalho Thiago.

Videozinho do uol apresentando o projeto e o artista arteiro: http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/saci-urbano-novo-personagem-nas-ruas-de-sao-paulo-04023760D0C12366?types=A&

Blog: http://eosaciurbano.wordpress.com/

Algumas fotos

Hallowen o cacete:

Nada como um dia após o outro!!!

Saudosismo de canceriano à parte, mas para explicar o que essa intervenção aí em cima tem a ver com o digitador desse treco preciso contar uma história da carochinha…

Foi em 1996 que comecei a trabalhar na extinta Publivias, uma empresa instalada na Rua do Bosque (Barra Funda), que fabricava letreiros e luminosos. Fui pra lá para ocupar o lugar de um amigo que estava indo trabalhar em uma agência de publicidade. A Barra funda é longe do Ipiranga (São João Clímaco pra ser mais exato, mas quando ninguém conhece onde você mora é melhor usar algum nome mais interessante!), era mais ou menos uma hora de ônibus até a Praça do Correio e depois subia até o Largo do Paissandú onde pegava o Vila Nova Cachoeirinha e mais uma meia horinha ou menos e já estava na Marquês de São Vicente nas imediações da “Fábrica de piche da Prefeitura”.

Eu era o cara que passava as artes finais dos “letristas” para o computador e que criava uma ou outra artezinha para virar painel. Corel Draw 3 em espanhol era nossa ferramenta nessa época, eu nem podia reclamar pois na empresa anterior eu ainda peguei o final dos processos de desenho e fotografia de “originais” para montar clichês, melhor nem explicar o que é isso para não pensarem que eu vim do pleistoceno.

Uma das coisas que sempre me chamaram a atenção era que nos “rolês” da hora do almoço a gente sempre desbravava um pouquinho daquele bairro, tinha o trem da Prata que ia pro Rio de Janeiro que saia de trás da firma, casas no padrão ferroviário (ou seja que serviram de moradia aos trabalhadores da ferrovia naqueles tempos…), uma Igreja, que se não me engano era de Santo Antônio e,  muito graffiti, no fim das ruas transversais a Rua do Bosque. Como estamos falando de um bairro cortado pelo trilho do trem, e portanto com muitas ruas terminando no muro de proteção dos mesmos, esses locais eram propícios a intervenção da moçada, do pixo e do graffiti. Há uns anos atrás visitei uma fábrica de produtos para postos de gasolina nessa rua e pra minha feliz surpresa um amplo flashback veio a tona ao observar a quantidade de intervenção que tinha ali, no mesmo lugar de uma década atrás.

“Intaum”! E não é que fui pra Universidade, decidi estudar Geografia, especialmente intervenções urbanas, continuei trabalhando com Mídia Exterior, montei meu escritório com meu paciente sócio Roberto e, casei, e agora que fazendo mestrado, buscando referências de intervenções urbanas me deparo com uma oficina de graffiti no Centro Cultural Banco do Brasil (que por coincidência fica a metros do meu escritório) realizada por dois caras que tem um trabalho que eu admiro há alguns anos: Delafuente e SÃO, respectivamente Leonardo e Anderson. Na ocasião, como era de se presumir, o meu graffiti ficou “horriver” mas só de relembrar o peso da latinha já valeu o ingresso!

Delafuente e SÃO assumem conjuntamente a denominação “6EMEIA” e esses artistas tem como particularidade a realização de intervenções em objetos públicos presentes no cotidiano: bueiros, tampas de esgoto, postes e objetos do gênero. São objetos  que originalmente passam desapercebidos no cotidiano e que causam impacto quando ganham uma roupagem artística. É uma espécie de terrorismo poético que parece que nos fala:
– Tem vida aqui ô!
– Alguém gastou o tempo pra te mostrar como esse bueiro fica engraçado assim!
– Anda devagar, olha pra baixo!

Bom, os caras além de verdadeiros artistas foram super generosos no evento citado, ensinando uns marmanjos como eu e a molecada a usar o spray no decorrer do evento.

Pra quem ficou curioso, desliga a TV e entra no álbum de fotos dos caras: http://www.flickr.com/photos/sao/sets/72157601458813225/with/4763225985/ ou entra no site deles: http://www.6emeia.com ou, de preferência, nos dois.

Enfim, quando faltam palavras o melhor é mostrar:

Obs.: Seis e meia é a posição do relógio em que os ponteiros ficam “olhando” pra baixo…

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