Category: Geografia & Geógrafos


Na cidade de São Domingos (Maranhão) o Grupo de defesa aos direitos LBGT local foi surpreendido com a queima de outdoor que haviam anunciado em Comemoração ao Dia Internacional de Combate a homofobia.

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Matéria completa em: http://www.radiopowerstrike.com/portal/outdoor-com-imagem-de-combate-a-homofobia-e-queimado-em-sao-domingos-do-maranhao/

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Segundo dados da EMBRATUR, um dos destinos turísticos no exterior mais procurado por turistas brasileiros é a capital portenha Buenos Aires. Dependendo de onde se resida no Brasil, visitar a cidade é mais barato e prático que muitos outros importantes destinos nacionais.

Para quem deseja conhecer a rica cultura argentina não faltam opções: são diversos museus e centros culturais, cafés, restaurantes, apresentações de tango etc. A cidade possui ainda locais emblemáticos como a região do Obelisco. Sem dúvida esta é uma das regiões com maior fluxo de pedestres e veículos do país, e, como não poderia ser diferente, os anseios públicos e privados prezam a existência de diferenciais na região para chamar a atenção dos turistas. Um exemplo desses diferenciais é a instalação de palco para shows variados aos finais de semana, outro, é a existência de grande quantidade de painéis publicitários na região, em especial as pantallas electronicas. A empresa Atacama possui dois painéis desse tipo em frente ao Obelisco, um de 90 m² e outro de 60 m², ambas no lado ímpar da avenida. Do mesmo lado da rua existe um painel com cerca de 66 m² que transmite publicidade e informações sobre o mercado financeiro. Além destes três painéis, em junho de 2010 a Coca-Cola argentina instalou na face de quase todo o prédio da Av. Carlos Pellegrini com a Diagonal Norte uma “televisão gigante” com aproximadamente 570 m² divididos em duas faces (uma de 21 x 21 m e outra de 6 x 21 m). Segundo informações dos jornais locais, o governo local não só autorizou a instalação como classificou a iniciativa como primeiro passo para criar na região uma espécie de “Times Square Sul-americana”. O investimento da Coca-Cola foi de aproximadamente US$ 7 milhões.

Contudo, por conta de denúncia de deputados que alegaram que a grande luminosidade do painel ocasionaria riscos na segurança viária e que o corpo de bombeiros havia verificado problemas de segurança o painel foi desligado dias após sua inauguração.

Durante os anos de 2011 e 2012 um imbróglio processual se seguiu. Após grande disputa, o painel da Coca-Cola foi ligado em junho de 2012 e o que vemos a partir do Hotel Republica é um verdadeiro show de cores e imagens.

Segundo depoimento de um dos mais antigos empresários de mídia exterior, Valentim Germano Sola, São Paulo também teve sua “Times Square” no Vale do Anhangabaú, sobretudo nos anos 50 e 60: “Você ia lá a noite para passear, para ver a publicidade”. Essa região, que é ícone no processo de verticalização da cidade, apresentava grande quantidade de painéis em neon nos topos dos prédios.

Como se percebe, o ideário do “Times Square” é coisa antiga: Transmite a sensação de qualificação e curiosidade.  Ao mesmo tempo vale ressaltar que a mídia exterior gera sentimentos e simbologias, daí decorre a responsabilidade de se imprimir na paisagem elementos que colaborem com a estética, história e cultura dos lugares.

"Times Square Paulistana"

“Times Square Paulistana” anos 50 – Vale do Anhangabaú

Sérgio Rizo, sócio da RS Projetos é geógrafo, Mestre em Ciências para integração da América Latina (USP) e professor universitário. Escreveu o livro “A mídia exterior na cidade de São Paulo” (Necrópolis, 2008).

Aparecimento da mídia exterior esta ligada ao modelo de desenvolvimento de cada cidade

Painéis publicitários presentes na região do Obelisco - Buenos Aires / Argentina

Em dissertação a ser apresentada esta semana através do Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), o pesquisador Sérgio Rizo lança o olhar para as diferentes formas de apresentação da mídia exterior em duas cidades que têm como característica primordial a centralização do potencial econômico de seus países – Brasil e Argentina. Desta observação surgem ligações entre o modelo de crescimento adotado em cada metrópole e os tipos de mídia exterior. Em São Paulo, os tipos de painéis vão se adaptando ao desenho urbano da cidade que passou por repetidos momentos de renovação urbana, em que se coloca “tudo abaixo” para sobreposição de “novos” elementos. Assim, a partir da década de 70, empresários paulistanos estabelecem padrões como o brasileiríssimo “outdoor”. Já na capital portenha, a preservação arquitetônica de prédios históricos coincide com a manutenção de antigas formas de publicidade que convivem até hoje com os mais modernos painéis luminosos e eletrônicos, criando no ambiente urbano uma colcha de retalhos de formas e estilos.

A partir do levantamento sistemático de matérias do jornal Folha de São Paulo e dos argentinos Clarín e La Nación, Rizo analisa problemas recorrentes ao tema da mídia exterior no cotidiano das duas cidades. Através da interpretação dos discursos apresentados nas publicações, o pesquisador organiza uma sequencia de eventos que demonstram possíveis jogos de interesse que justificam a existência ou não da mídia exterior nestas cidades.

Se hoje a mídia exterior relaciona-se muitas vezes com à ideia de poluição, em São Paulo ela já foi vista como sinônimo de modernidade e prosperidade. Em Buenos Aires, mesmo com a grande quantidade de publicidade, alguns atores locais alimentam o sonho iluminado de reproduzir a “Times Square” em terras Sul-americanas. Ainda no campo dos imaginários, há de se supor que a escolha do termo “Cidade Limpa” é bem estratégico, quem sabe uma modernização do jargão “varre, varre vassourinha” de Jânio Quadros. Quando se pensa em uma metrópole com a magnitude de São Paulo, indaga-se: qual cidadão iria ser contra uma “Cidade Limpa”? Simbologias à parte, este projeto transformou São Paulo na única metrópole do mundo sem mídia exterior.Essa excepcionalidade promove o desenvolvimento de um grande processo de licitação ao qual supõe-se que a municipalidade possa obter a maior receita já paga no mundo para fornecimento e gestão de mobiliário urbano.

O trabalho apresenta ainda o mapeamento e inventário fotográfico dos painéis publicitários mais representativos das avenidas Nove de Julho, em Buenos Aires, e Paulista, em São Paulo. Na capital paulista Rizo encontra novas formas de mídia exterior como alternativas às tipologias proibidas. Sejam marcas “patrocinadoras” em guaritas policiais e faixas de eventos, ou cartazes em bancas de jornal. “A pesquisa indica que empresas multinacionais do segmento de mobiliário urbano podem ter influenciado decisivamente para a eliminação da mídia exterior convencional de São Paulo, visando criar uma situação excepcional onde estes equipamentos se tornam o único meio de mídia no ambiente público”, explica.


Sobre o pesquisador: www.sergiorizo.com.br
Geógrafo formado pela USP e autor do livro “A mídia Exterior na Cidade de São Paulo”, editora Necrópolis (2009). Para ele, o principal ponto desta nova pesquisa é que “ao comparar a mídia existente em situações distintas percebemos que sua mera existência, fruto de impasses entre empresários e o poder público, não deixa de ser uma expressão da sociedade, servindo assim como objeto de interpretação do modo de vida de determinada população”.

Serviço

O que:
Defesa da dissertação “Estudo comparativo da mídia exterior em São Paulo e Buenos Aires” de Sérgio Ávila Rizo. Orientado por Dra. Margarida Maria Krohling Kunsch – Escola de Comunicações e Artes – ECA/PROLAM/USP

Quando: 18 de maio, às 10h

Local: PROLAM/USP – Rua do Anfiteatro, 181 – Colméia – Favo 1


Assessoria de Imprensa:

CB Comunicação

ceciliabacha@gmail.com

11 – 85487374 / 11 – 25794097

Publicidade ao ar livre em Buenos Aires

Publicidade ao ar livre em Buenos Aires

Como parte de uma pesquisa acadêmica para Mestrado no Programa de Integração da América latina da USP visitarei diversas cidades latinoamericanas com o intuito de documentar a Mídia Exterior das mesmas. O trabalho de campo começa domingo, dia 13 em Montevidéu e termina dia 5 de março em Santiago.O projeto visa captar além de um amplo expediente visual, entrevistas com empresários, gestores públicos e a aquisição das legislações que tratam do assunto. Acompanhe minha viagem por aqui ou pelo: http://twitter.com/sergiorizo, irei postar fotos dos lugares e comentários sobre a realidade de cada cidade. Em paralelo pretendo disponibilizar materil cultural e sonoro para o parceiro de blog Mjr_jr interagir conosco.

Programação:
13 a 15 de fevereiro: Montevidéu;
16  a 20 de fevereiro: Buenos Aires;
21 a 23 de fevereiro: Rosário;
24 a 26 de fervereiro: Córdoba;
27 de fevereiro a 01 de março: Mendoza;
Dia 02 de março travessia dos Andes (22 horas);
De 03 a 05 de março: Santiago.

Mesmo tendo escrito um livro contando a história da Mídia Exterior na cidade de São Paulo, muitas vezes tenho dificuldade em exprimir o que é a bendita mídia exterior e o que busco com esse tipo de abordagem. Bom, sou geógrafo e como tal meu objeto de estudo é o espaço geográfico. Na concepção mais teórica o espaço geográfico é entendido como um sistema indissociável de objetos e ações. Chamamos território. Todos fazemos parte de uma nação, de uma determinada sociedade, cultura, etc e portanto tudo isso ocorre em um determinado espaço que não só é influenciado por esses itens como também exerce influência sobre os mesmos.

O que enxergamos no espaço se chama paisagem e esta pode ser composta de uma série de coisas tais como montanhas, edificações, cachoeiras, a sala da sua casa, ou seja, o que tú estiver vendo! O grande esforço do geógrafo é tentar explicar o que enxerga, especialmente a organização ou desorganização das coisas que escolhe pesquisar.

O que aprendemos na escola sobre geografia: as capitais da pqp, o nome dos rios da casa do chapéu, e outras decorebas geralmente inúteis, não refletem o propósito dessa ciência que tem uma produção muito interessante no Brasil sobretudo a partir da obra do Professor Milton Santos.

No meu caso em especial, eu trabalho com Mídia Exterior desde 1995 produzindo artes finais para anúncios em painéis, projetando estruturas metálicas, licenciando anúncios e por fim assessorando as empresas desse segmento na comunicação através de folders, anúncios, catálogos, websites, etc.

Pouco a pouco percebi que os painéis, enquanto elementos participantes da paisagem, possuiam uma série de particularidades que, devidamente dissecadas, ajudavam a entender as coisas que acontecem no “lugar” e em outros “lugares”. Daí comecei essa epopéia de verificar os processos que promovem a existência de outdoors, front-lights, e toda sorte de engenhos que encontro nas cidades. Essas particularidades dizem muita coisa e esse diálogo eu tento expor nesse canal aqui.

Um dos principais desdobramentos dessa linha de pesquisa esta sendo entender outras manifestações de ocupação da paisagem como o grafite a pichação e outras manifestações culturais como os tapetes de serragem ou não que tomam ruas de muitas cidades brasileiras no dia de Corpus Christi. Mas isso ainda está na gaveta, o que realmente trabalho hoje é com a Mídia Exterior e muito brevemente estarei visitando outras cidades latinoamericanas justamente para ver o que existe de engenhos publicitários nestas e o contexto, isso por conta do mestrado que desenvolvo na Universidade de São Paulo.

Acho que é isso

Sérgio Rizo
sergio_rizo@hotmail.com

Blog de geógrafos

http://mariorangelgeografo.blogspot.com/

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